
No dia 20 de Junho, quinta-feira, aconteceu o Draft da NBA no Brooklyn em Nova York. Neste primeiro post sobre o evento que definirá o futuro de muitas franquias, será abordado a necessidade e situação da cada franquia, além do porquê de cada um dos selecionados.
Atlanta Hawks – Após mandar as escolhas 8, 17 e 35 ao New Orleans Pelicans em troca da quarta escolha, o Hawks passou a ser possuidor das escolhas de número 4, 10 e 34, as quais se tornaram respectivamente De’Andre Hunter, Cam Reddish e Bruno Fernando.
Selecionado com a quarta escolha, o ala-pivô de Virginia era considerado o melhor defensor entre todos os prospectos, devido a sua capacidade de poder marcar tanto um pivô quanto um armador, porém seu jogo ofensivo tem muito a melhorar, principalmente os arremessos de longa distância que parecem estar se tornando identidade no time.
Apesar da temporada abaixo das expectativas em Duke, Cam Reddish ainda se manteve no Top 10 do Draft, o ala iniciou a temporada cotado para estar entre as cinco primeiras escolhas, porém suas performances ruins principalmente no que seria sua maior virtude, o chute, deixou a desejar. Entre desempenhos irregulares o jogador também se mostrou um potencial 3-and-D, além de grande capacidade partindo para o garrafão.
Na tentativa de suprir o que se mostrou um dos grandes defeitos do time na temporada passada, o Hawks usou a sua escolha 34 para selecionar o pivô Bruno Fernando vindo de Maryland, e melhorar a sua defesa garrafão. A sua defesa sequer é o ponto forte de seu jogo, mas a franquia deve apostar que consegue transformar sua espetacular capacidade atlética em um grande defensor.
A franquia de Atlanta possui agora em seu núcleo jovem, um excelente defensor em Hunter, os arremessadores Kevin Huerter e Cam Reddish, a sua estrela Trae Young, que veio em crescente desde o All-Star Wekeend e tem tudo para continuar em ascensão, além de John Collins, que fez com Trae uma das melhores duplas de pick-and-roll na última temporada. É difícil imaginar esse time indo para playoffs na próxima temporada, mas esses jovens prometem formar um time muito forte nos próximos anos.
Brooklyn Nets – Após cinco anos sem a sua escolha de primeira graças à desastrosa troca de Paul Pierce e Kevin Garnett, o Nets finalmente tinha o direito de escolher alguém na primeira rodada, até eles trocarem a sua escolha 17. Sendo assim, as escolhas 31 e 56 restaram aos nova-iorquinos.
Para a reserva de Jarrett Allen, o pivô Nic Claxton foi selecionado com a escolha 31 . Possui bom controle de bola, mobilidade e um tempo de bola para ser um bom defensor na cobertura. Não é um bom reboteiro e deve ter dificuldade para pontuar devido a sua pobre capacidade ofensiva.
Já no fim da segunda rodada o armador Jaylen Hands de UCLA. Apresenta grande capacidade atlética e até mesmo um bom chute, porém sua capacidade de tomar boas decisões e falta de aplicação defensiva deve fazer dele apenas um jogador de G-League.
Os jovens jogadores podem perder totalmente o seu espaço caso o Nets consiga grandes free agents e passe a ser um forte candidato ao título.
Boston Celtics – Após Al Horford recusar sua player option e encerrar suas negociações de renovação e a iminente saída Kyrie, a franquia parece estar regredindo e deixando de ser um candidato ao título na próxima temporada. Com as saídas dos dois veteranos e Aaron Baynes, o Celtics usou as escolhas 14, 22, 33 e 51 para rechear seu elenco de jovens e quem sabe usar o espaço deixado na folha salarial para pegar alguma estrela nessa off-season.
A mais alta das escolhas foi usada com Romeo Langford, ala que deve ser reserva de Jayson Tatum. Vindo de Indiana, Langford não se mostrou um bom arremessador, mas na medida do possível apresentou um jogo completo o suficiente para poder contribuir em cada aspecto do jogo mesmo que de maneira mínima.
Na posição 22, o selecionado foi o ala-pivô Grant Williams de Tennessee, que se mostrou um jogador inteligente nos dois lados da quadra e um passador acima da média para sua posição. Não possui o tamanho de um jogador de garrafão, mesmo assim é um bom defensor tanto no perímetro quanto no garrafão. Seu arremesso é algo que deve ser trabalhado.
No início da segunda rodada, e para surpresa de alguns, o Celtics selecionou Carsen Edwards, o armador se mostrou um ótimo arremessador tanto vindo do drible quanto recebendo e imediatamente arremessando. É provável que apesar de ser um dos melhores arremessadores no Draft, o seu tamanho tenha causado desconfiança para fins defensivos. Com características semelhantes na escolha 51, Tremont Waters foi selecionado. Bom arremessador vindo do drible, seu tamanho desperta desconfiança, mas ainda sim mostrou boa capacidade defensiva.
Todas as escolhas parecem ter potencial para se tornarem bons jogadores na NBA, cabe à Brad Stevens desenvolver mais alguns jovens agora que Kyrie e Horford fatalmente deixarão o time.
Charlotte Hornets – O rumo da franquia vai ser decidido a partir de Kemba Walker, que pode decidir ir jogar em praticamente em qualquer lugar ou ficar e se manter fora dos playoffs pelo resto de seu auge.
Com a escolha de número 12, o Hornets selecionou um dos prospectos com jogos mais sólidos, P.J Washington de Kentucky, que demonstra capacidade de ser bom na defesa, como reboteiro e até mesmo arremessando. Não deve ter grandes dificuldade em transmitir seu jogo à NBA seja como um bom coadjuvante para Kemba ou como um jogador bom perdido num time sem expectativas.
Com as escolhas 36 e 52, os selecionados foram respectivamente Cody Martin, ala de Nevada e Jalen McDaniels, ala-pivô de San Diego State. Ambos apresentam falta capacidade para arremessar de 3, porém potencial para serem bons defensores.
Chicago Bulls – Com a sétima escolha do Draft, o Bulls a usou para selecionar um armador e sinalizar que desistiu totalmente de Kris Dunn. Vindo de North Carolina, Coby White demonstrou um enorme agressividade à cesta – que por vezes prejudica sua tomada de decisão -, bom arremesso e grande velocidade, componentes que fazem dele um pontuador versátil e bem difícil de ser marcado. Sua defesa também não deixa a desejar.
Com a trigésima quinta escolha, o pivô Daniel Gafford de Arkansas, se mostra um ótimo defensor de garrafão e reboteiro ofensivo. Sua capacidade atlética é ofuscada pela falta de técnica.
Cleveland Cavaliers – Outro time que mostrou sinais de desistência de um jovem jogador foi o Cavs. Apesar de ter usado a sua sétima escolha do ano passado para selecionar o armador Collin Sexton, eles usaram a sexta escolha desse ano para draftar o também armador Darius Garland, de Vanderbilt. Muito se foi falado após a escolha que eles poderiam formar uma dupla de armadores, porém o discurso de desistência corrobora com a péssima impressão que Sexton deixou na franquia pela temporada passada.
Com a escolha 26, o ala Dylan Windler de Belmont, deve contribuir com artilharia pesada vindo do perímetro. Caso confirme as expectativas, deve ser suma importância para o futuro da franquia tendo em vista que é o único arremessador entre os jovens jogadores. Com a escolha de número 30, Kevin Porter de USC, é um jogador que mostra suas qualidades apenas quando controla o ataque. Se o plano for a dupla de armadores com Sexton e Garlan, será necessário que ele melhore, e muito seu arremessos e movimentação sem bola.
Dallas Mavericks – Tendo trocado a sua escolha de primeira ano passado, no movimento que mandou Luka Doncic ao Texas, o Mavs só ficou com a escolha de número 37 e ela foi trocada na noite do Draft.
Denver Nuggets – A franquia chegou à noite do Draft sem nenhum escolha, mas com a queda absurda de Bol Bol, eles adquiriram a escolha 44 com o Miami Heat e o adquiriu.
Mesmo sendo considerado um dos prospectos mais talentosos desse ano, a lesão fez o filho de Manute Bol protagonizar essa despencada. Sobre o talento do jogador não há dúvida, pode chutar de fora, arremessar lances livres, dar bons passes, e devido a sua espantosa agilidade para o seus 2,20; pode ser também um belo defensor. Isso tudo caso as lesões permitam que ele volte à sua melhor forma.
Detroit Pistons – Na noite do Draft a aposta de franquia foi bem clara, tornar o time mais atlético. O ala-pivô Sekou Doumbouya da França,o também ala-pivô Isaiah Roby e o armador Jordan Bone, respectivamente as escolhas 15, 45 e 57, mostram muito atleticismo, porém um jogo ainda cru. Se afastando um pouco das outras opções o ala Deividas Sirvydis da Lituânia foi selecionado por ser um dos melhores arremessadores do Draft. As características dos draftados também são compatíveis com as do recém adquirido Tony Snell.
Golden State Warriors – Com as possíveis renovações dos lesionados Klay Thompson e Kevin Durant, o Warriors pagará multas estratosféricas e não terá espaço para fazer contratações além do mínimo ou se utilizando do mid-level, sendo assim as escolhas 28, 39 e 41 devem ter espaço ao longo da temporada do atual vice-campeão. Na primeira rodada, o ala-armador Jordan Poole demonstra criatividade ofensiva, mas o seu egoísmo no ataque deve ser retirado de seu repertório para que ele se encaixe no time de Steve Kerr.
Com as prováveis saídas de Cousins e Looney o Warriors usou as suas escolhas 39 e 41 para reforçar o garrafão. Porém os selecionados Alen Smailagic e Eric Paschall não parecem ter capacidade de contribuir a princípio. Enquanto Alen só mostra habilidade como reboteiro, Eric tem um repertório mais vasto, mas sua tomada de decisão é algo a ser observado.