
Após outra eliminação precoce nos Playoffs, se tornou claro que mudanças profundas seriam necessárias no plantel do Thunder, pois mais uma vez foi escancarada a falta de coesão tática – especialmente no ataque – entre os protagonistas Russell Westbrook, Paul George e os coadjuvantes. Além da natural necessidade de melhorar, os engravatados de Oklahoma ainda tiveram como ‘estímulo’ a insatisfação das estrelas com a montagem do elenco.
Os rumores indicam que o GM Sam Presti até procurou o valor de mercado de peças como Dennis Schröder, Andre Roberson e Steven Adams, mas esbarrou na própria folha salarial gessada. Passadas duas semanas de Off-Season, e sem aparentes mudanças, Paul George partiu para os Clippers com Kawhi, via troca por um número recorde de escolhas, Shai Gilgeous- Alexander e Danilo Gallinari. A partir daí, o próprio Westbrook manifestou interesse em sair, e a franquia voltou o interesse em sair do Luxury Tax – pagar multas por estar muito acima do teto salarial -, e por esse mesmo motivo trocou Jerami Grant para Denver por uma escolha de primeira rodada. Apesar do notório interesse em deixar de pagar multas, só foi possível trocar o contrato gordo de Westbrook pelo igualmente gordo contrato de Chris Paul.
O primeiro ano pós-era Westbrook reserva algo totalmente diferente para Oklahoma. Não assistirão um time repleto de jovens em desenvolvimento, tão pouco superestrelas no seu auge. O time parece pronto para eclodir em mais trocas, sejam elas envolvendo Chris Paul, Gallinari ou mesmo Adams. Entretanto, essa temporada não precisa ser só sobre jogar de malas prontas apenas aguardando as iminentes trocas, pode ser também sobre oportunidades.
Billy Donovan nunca conseguiu implementar aquilo que parecia a razão de sua contratação em 2015, introduzir maior movimentação ao ataque do time. Agora, quatro anos depois, ele tem um elenco completamente diferente, mas ainda com boas peças para trabalhar, e uma grande oportunidade de mostrar que as qualidades de treinador que o tornaram bicampeão universitário com Florida e o levou à Oklahoma, ainda existem e podem ser traduzidas ao mundo da NBA. Uma situação semelhante ocorreu com Doc Rivers, que mesmo tendo conquistado um título com Boston em 2008, tinha sua qualidade contestada por muitos, já que a defesa, principal qualidade daquele time é mais creditada ao à época assistente e futuro treinador Tom Thibodeau. Após o fracasso do time que ganhou fama como Lob City – CP3, Blake Griffin e Deandre Jordan – ele foi capaz de dar a volta na última temporada, concorreu ao prêmio de Treinador do Ano após um excelente trabalho num elenco completamente diferente e dessa vez sem expectativas.
Entre as peças de qualidade no elenco, o desempenho de Chris Paul será o mais decisivo para qualquer resultado positivo que o time possa ter nesta temporada. Para o armador, é uma oportunidade de provar que ainda é uma estrela, se conseguir levar o time além das expectativas. Durante os dois anos em Houston, Paul teve média de 17,1 pontos; 8 assistências e 1,85 roubos de bola e enquanto teve condição física, sua parceria com Harden foi formidável e só foi ‘indesejado’ após a deterioração de sua relação com Harden.
Além de Paul, o Thunder conta com o jovem e já ótimo Shai Gilgeous-Alexander – que pode aproveitar a companhia de um dos maiores armadores de todos os tempos ao seu lado para continuar crescendo – o italiano Danilo Gallinari e o sempre consistente Steven Adams.
Caso o Coach Donovan consiga o foco desses jogadores, e implemente um trabalho bom, o OKC Thunder pode surgir como equipe capaz de surpreender e aparecer na briga por Playoffs, mesmo nesse Oeste tão disputado. Mas a parte mais difícil será ver esse time não se desmanchar em lesões durante a temporada – principalmente Chris Paul e Gallinari – ou se desmanchar em trocas.