A temporada 2019/2020 da NBA começou há pouco mais de um mês, e com aproximadamente um quarto de temporada regular jogado, já podemos algumas conclusões a respeito de certos jogadores e times. Entre decepções e surpresas, esta temporada já está se mostrando extremamente empolgante, e ao longo deste texto serão abordados as principais histórias da temporada até então.
Boston Celtics
Apesar da saída de dois de seus grandes nomes, os Celtics assim como esperado, permanecem no topo do Leste. A melhor notícia para o Boston nesse início de temporada foi contar com Gordon Hayward jogando em alto nível. Na segunda temporada após sua lesão horrorosa, e agora num time organizado e com a cara de Brad Stevens, o ala recuperou o basquete que ele apresentou ao longo de sua carreira como All-Star em Utah. A má notícia é a sua lesão – mão quebrada – após um choque com Lamarcus Aldridge, que pode atrapalhar o bom momento do jogador.
Além de Hayward, outros que vivem momentos melhores que na temporada passada são Jayson Tatum e Jaylen Brown. Com o time movimentando a bola e sem ninguém para dominar as ações, os dois podem esperar pelo melhor arremesso naturalmente em vez de forçar arremessos nas piores condições possíveis. E muito legal ver o Kemba Walker pela primeira vez jogando num time decente.
Além do ataque mais fluído, o time de Brad Stevens conta com a quarta maior eficiência defensiva para assegurar a terceira melhor campanha do Leste até então.
Chicago Bulls
Eu não imaginava que o Bulls fosse explodir nessa temporada, mas ainda assim, o desempenho é muito decepcionante. Como foi discutido anteriormente nos podcasts de preview o time do Chicago não é ruim em termos de individualidades, mas falta transformar isso em um time coeso e competitivo. Apesar de apenas um quarto da temporada passado, acho que não é tão arriscado dizer que não deve ser esse o ano.
Zach LaVine até está jogando bem – incluindo uma histórica performance de 13 bolas de três – , mas não vem sendo o suficiente para manter o ataque num nível aceitável já que atualmente os Bulls têm a terceira pior eficiência defensiva da liga. O terceiro ano de Lauri Markkanen vem sendo horrível, incluindo médias de 35%FG e 28% 3-PT FG, o que eu acho particularmente surpreendente, tendo em vista que o considerava um jogador sólido na parte ofensiva. Quanto ao novato Coby White, ele assim como a cartilha dos novatos, vem com altos e baixos.
Dallas Mavericks
Antes de falarmos de Luka Doncic, vamos voltar ao que eram as expectativas do Dallas ao início da temporada. Além de imaginarmos como este Mavs poderia se tornar um time de Playoffs, nos balbuciamos com o quão letal seria uma dupla de pick-and-roll entre Luka Doncic e Kristaps Porzingis. aí é que está, essa dupla praticamente não existe e está sendo um pouco frustrante ver o letão de 2,21 como um mero arremessador muitas das vezes. Mas nada disso importa por enquanto, porque Luka Doncic está jogando num nível ridiculamente alto. O esloveno de apenas 20 anos vem com médias de 30 pontos, 10 rebotes e 9,5 assistências, até então médias jamais feitas nos primeiros 16 de uma temporada regular senão por Oscar Robertson. Após assistir a primeira temporada de Doncic, eu tive certeza de que se tratava de um jogador pronto e que não evoluiria tanto, mas esse início me lembrou que este é apenas seu segundo ano de NBA e que ele ainda tem como nos surpreender.
Os Mavericks, liderados por Doncic estão com a quarta posição da Conferência Oeste, o que lhes garantiriam o mando de quadra na primeira rodada, embora um desfecho tão espetacular para o time texano ainda pareça improvável.
L.A. Lakers
Apesar de se ter de uma dupla de estrelas inegavelmente melhor, grande parte das previsões da temporada apontavam os Clippers com um começo melhor que os Lakers, e grande parte disso devido a defesa utópica dos rivais de cidade, e algumas dúvidas em relação à defesa dos Lakers. Bom, essa dúvida não existe mais. A dupla de garrafão com Anthony Davis e Javale McGee, ou mesmo Dwight Howard que vem vindo muito bem do banco, os Lakers estão concedendo aos seus oponentes apenas 44 pontos no garrafão, a quarta melhor defesa no quesito.
Além do garrafão impressionante, o time de L.A. é o quarto que mais força turnovers e possui a sétima maior eficiência defensiva. Dito tudo isso sobre a defesa, não é de se estranhar que um time com Anthony Davis e LeBron James também tenha um ataque de respeito – mais precisamente a quinta maior eficiência ofensiva – o que os leva ao começo espetacular de 15-2.
Miami Heat
Apesar de conseguir imaginar um cenário em que o Heat ficasse no topo do Leste, não imaginava que seria desta maneira. Era de se esperar que a estrela e único jogador de renome Jimmy Butler, fosse assumir de maneira acentuada a produção ofensiva da equipe.
Entretanto, Butler vem sendo nada mais que apenas um jogador nesse estilo coletivo e empolgante de Erik Spoelstra, que por sinal é verdadeira estrela do time Miami até então. Butler não só não está tendo um volume de estrela como está chutando abaixo das suas médias de carreira 44% FG e 26% 3-PT FG. Ainda assim, o jogador mostrou uma parte do seu jogo até então não vista, e está se mostrando um bom líder ao reconhecer o mal momento chutando e está servindo muito bem os companheiros que estão boa fase – 4,6 assistências de média -.
Se Butler não vem tendo as médias esperadas,grande parte do resto do elenco está acima das expectativas. O undrafted Kendrick Nunn vem com médias de 17 pontos e 40% 3-PT FG. Tyler Herro está se mostrando um gatilho assim como esperado, contabilizando 14 pontos de média , o que deve colocar ele assim como Nunn no time dos melhores novatos.
Além dos novatos outro que está sendo crucial é Bam Adebayo. No seu terceiro ano de NBA – e agora sem perder minutos para Hassan Whiteside – o pivô vem se mostrando versátil, apesar de não ter um jogo refinado ou um repertório vasto.
Graças à Erik Spoelstra e ao seu staff o Miami Heat joga um basquete muito legal de assistir e além de tudo, eficiente, o que os torna até agora a melhor defesa de perímetro da NBA,o segundo time em roubos de bola e a terceira melhor eficiência defensiva.
Minnesota Timberwolves
Os Wolves podem até não ser a maior surpresa da temporada, mas sem dúvidas, a forma como esse time até então se mostra um time para brigar por playoffs é surpreendente.
Fazendo o preview do Minnesota durante a pré-temporada, falamos sobre como esse time parecia o time mais sem graça possível. Não pareciam haver cenários em que esse time se tornasse mais do que foi na temporada passada, um novato ali, Towns defendendo aqui, mas nada impactante de verdade. Até que o improvável aconteceu, Wiggins acordou.
Após um basquete totalmente apático nos últimos anos, a carreira de Andrew Wiggins na NBA parecia perdida apesar dos primeiros bons anos. Entretanto, nesta temporada o ala acordou do seu sono profundo e vem mostrando o melhor basquete da carreira – 25 pontos. Só torcer para ele não adormecer de novo.
Outro jogador que vem fazendo a diferença assim como se espera é Karl Anthony Towns. O pivô vem mostrando uma defesa mais digna, mas acima de tudo ele simplesmente se tornou o Steph Curry gigante. O Towns está com 44% 3-PT FG, e se engana você que pensa que ele só está chutando bola livre na zona morta ou de frente para a cesta esperando a bola paradinho, o cara tá dando step-back 3 a rodo. Não acho que essa situação é sustentável, mas está divertida.
Oklahoma City Thunder

Apesar do começo de campanha ruim em Oklahoma, o início do time é promissor a ponto de eu achar que é bem possível esse time acabar indo para os Playoffs. Mas afinal de contas, o record do Thunder não está 6-10? Sim, mas a partir da leitura deste número é possível ver que há uma margem de crescimento para o time. O OKC começou com uma tabela pra lá de difícil, e além disso vem fazendo mesmo os times mais fortes de cada conferência suar. Das 10 derrotas que o time tem até agora, 7 foram por menos de 5 pontos, o que corrobora com o que já foi dito e a partir dele é possível projetar um futuro em que o time feche melhor os jogos e se encontre com as vitórias. Para que o time decida jogos melhor, é prioridade que Danilo Gallinari não encoste mais na bola nos últimos, tendo em vista que ele vem sendo a principal arma para as últimas bolas e não vem sendo tão eficiente.
Individualmente, é surpreendente o quão coadjuvante Chris Paul vem sendo nesse início de temporada. O Armador parece estar satisfeito em ser um mentor para Shai Gilgeous Alexander, e enquanto o experiente armador vem com suas piores médias de assistências na carreira e o jovem está jogando muito bem como principal arma ofensiva do time. Com números baixos, e com times que poderiam trocar pelo armador já se ajeitando – principalmente Dallas e Miami – , é possível que o veterano fique mesmo em Oklahoma.
A principal decepção do time é Steven Adams, que apresenta médias muito abaixo em rebotes e em pontuação. Parecendo inclusive que Nerlens Noel está rendendo mais que o titular.
Phoenix Suns

Definitivamente a surpresa da temporada, o Suns tem um time. Mesmo que tudo eventualmente de errado, e o Phoenix acabe não indo aos playoffs esta temporada deverá ser lembrada como uma vitória, pois conseguiram tornar os bons jogadores que tinham em um time. A chegada de Ricky Rubio como um organizador foi essencial para o ataque do time e de Baynes para a defesa e para o ataque, já que o pivô, ainda de de maneira mais comedida, seja um Steph curry gigante com seus incríveis 44% 3-PT FG.
Acreditam que ainda nesse ano vi pessoas falando que o Booker era só estatísticas vazias? O ala-armador está com 24 pontos de médias com 52% FG, 43% 3-PT FG e 95%FT.
Utah Jazz

Entre as principais mudanças de elenco dessa temporada está o Jazz, que teve como grandes aquisições Mike Conley e Bojan Bogdanovic. Apesar de ter imaginado um começo um pouco melhor para o Jazz, a situação não está nada desanimadora. Se por um lado os números de mike conley estão péssimos nesse início, taticamente a adaptação parece já estar em andamento, o que nos leva a crer que os números ruins são apenas devido à uma má fase técnica passageira. Quanto à Bojan Bogdanovic, a adaptação foi tão suave quanto em sonhos e o jogador está com a maior média da carreira em pontos com 21, enquanto tem 47%FG e 46% 3-PT FG, outro career-high.
Já o principal jogador da franquia Donovan Mitchell, vem também com os melhores números da carreira, não apenas pela evolução natural, mas também por ter mais jogadores qualificador para criar jogadas. O jogador está com 26 pontos, 45%FG e 38% 3-PT FG.
Se tudo ocorrer como nas últimas temporadas pelo Jazz, esse time encontrará sua forma final apenas na última parte de temporada.





